Papo com a ambientalista Lara Lutzenberger

Papo com a ambientalista Lara Lutzenberger

A ambientalista Lara Lutzenberger já apareceu em diferentes posts do portal Jardim das Ideias STIHL: ela falou sobre ações para ajudar a conservar a Amazônia, a importância do meio ambiente e como é possível preservá-lo. A ideia, hoje, é conhecer um pouco mais sobre ela, sua trajetória e visões sobre o mundo. Confira a entrevista abaixo:

Quem é Lara Lutzenberger?

Também ainda ando a procura dessa resposta. Quem sou eu? Biograficamente falando, costumo ser apresentada como filha do ambientalista brasileiro, José Lutzenberger, que se formou em biologia, trabalhou com ele e segue o seu legado através da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger, que preside, e da empresa Vida Desenvolvimento Ecológico, da qual é sócia com sua irmã e que atua na área de reciclagem industrial no ramo do papel e da celulose. Mas esses são apenas os rótulos que foram fixando-se sobre minha figura. Na verdade, sou um bicho humano, com suas virtudes e defeitos, e na sua própria busca infinita de evolução e de compreensão da sua identidade, dos seus propósitos e potenciais.

Qual o seu propósito de vida?

Tenho mais de um propósito e sempre pode surgir mais algum enquanto eu estiver viva! Essencialmente me oriento pela ideia de contribuir e, profissionalmente, como me criei submersa na natureza, consciente do seu valor fundamental para nossas próprias condições de vida e testemunho diariamente o descaso coletivo destrutivo, dedico-me a esclarecer e motivar as pessoas pela causa ambiental. Estou a frente da Fundação Gaia – Legado Lutzenberger, desde a morte de meu pai em 2002. A Fundação Gaia tem como seu espaço o Rincão Gaia, uma área de 30 hectares pertinho de Pantano Grande/ RS, onde meu pai começou um trabalho incrível e emblemático de regeneração ambiental. Onde havia uma área empobrecida, revolta e agredida pela mineração, há hoje lagos, fauna silvestre, jardins, criações animais, cultivos e construções, que em seu conjunto acolhem e celebram a vida. Partindo do foco na regeneração ambiental, o esforço evidenciou em mim a percepção do crescimento humano e dos ganhos coletivos que derivam de uma relação salutar e parceira com a natureza. Observar a natureza atentamente e interagir com ela para que esta se desdobre de forma plena é um exercício similar ao da maternidade e, da mesma forma, amplia nossa percepção e compreensão de mundo, quando o fazemos buscando tão somente contribuir, e não manipular ou impor de forma cega anseios próprios.

Você sempre sonhou em trabalhar como ambientalista?

Jamais sonhei em ser ambientalista. Sempre tive paixão por animais e na faculdade de biologia estava mais inclinada pela zoologia e, em especial, pela etologia – estudo do comportamento animal. Imaginei estudar os chimpanzés ou algum outro grande mamífero na África, ou trabalhar com cetáceos – baleias e golfinhos em algum instituto norte-americano. Mas o destino me manteve ao lado de meu pai e acabei por dedicar minha vida profissional inteira a ele e ao seu legado, o que também sempre fiz com paixão e muita dedicação.

Quais seriam as soluções para os reais problemas ambientais do Brasil?

Frear todos eles! A pergunta é: como? Em todos eles há o agravante de que grande parcela da população não compreende e se nega a compreender os riscos de colapso inerentes a eles. Ademais, o macro sistema econômico global os favorece. Eis a grande encruzilhada em que estamos.

A pandemia do coronavírus escancara nossa vulnerabilidade relacionada a nossa violência ambiental e hábitos urbanos e força uma guinada cultural e dos setores econômicos. Apesar da imensa dor e angústia que a pandemia provoca, do pesadelo que ela representa, ela também nos indica caminhos a seguir, mais sensatos, como o reconhecimento de que a natureza está na base de tudo; que é preciso preservar e ampliar o que resta de paisagens íntegras; que é preciso rever nossos padrões de consumo, para que sejam mais modestos, recicláveis e naturais; que devemos desaglomerar; horizontalizar mais nossas relações de poder e localizar mais cadeias de provimento. A crise climática, com suas instabilidades assustadoras, grita pela independência da matriz fóssil. Se conseguirmos implementar em peso e com agilidade essas mudanças, podemos virar o jogo a nosso favor.

  • Esse texto expressa a opinião de Lara Lutzenberger, ambientalista e Presidente da Fundação Gaia – Legado de José Lutzenberger.
Fonte: https://blog.stihl.com.br/

 
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